A jornada com Deus não é uma escada de conquistas pessoais, mas um altar de entregas diárias. Cada novo nível espiritual, cada responsabilidade maior e cada propósito mais profundo exigem algo de nós: rendição. No Reino de Deus, crescer não significa acumular, mas esvaziar.
Há uma verdade que muitas vezes evitamos: todo degrau espiritual carrega uma morte. Morte do orgulho, dos próprios planos, das expectativas humanas e, muitas vezes, daquilo que insistimos em chamar de “sonho”. Mas é exatamente nesse lugar de morte do nosso “eu”, que encontramos a verdadeira vida.
Deus nunca nos chama para perder, mas para trocar. Ele nos convida a entregar o que é limitado para receber o que é Eterno. Quanto mais derramamos aos pés d’Ele, mais espaço criamos para que Ele viva em nós.
Morte que gera vida
“Na verdade, na verdade vos digo que, se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto.”
João 12:24 (ACF)
Jesus deixou claro que o princípio do Reino é a morte que produz vida. O grão precisa ser enterrado e aparentemente “perdido” para que possa gerar frutos, e regado continuamente para que esses frutos sejam verdadeiramente bons. Assim também é conosco. Cada novo nível em Deus exige que algo em nós seja deixado para trás, sendo constante no cuidado do que é novo.
A vida cristã não é um evento isolado de entrega, mas um processo contínuo de renúncia. É diário, constante, e profundo.
O inimigo tenta apresentar essa morte como frustração, como se Deus estivesse retirando algo por egoísmo. Como se Ele gostasse de nos ver sofrer por abrir mão de algo, e apenas isso. Mas a verdade é que Ele está preparando terreno fértil. Ele remove o que limita para plantar o que frutifica. O que parece perda é, na verdade, preparação.
Consagração não é conforto
“Portanto, irmãos, rogo-lhes pelas misericórdias de Deus que se ofereçam em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus; este é o culto racional de vocês. Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.”
Romanos 12:1,2 (NVI)
Consagração é entrega total. Não parcial, nem seletiva. Deus não nos chama para uma fé confortável, mas para uma vida transformada. Sacrifício vivo significa que estamos constantemente nos colocando no altar. Derramando e queimando nossas vontades, desejos e planos.
Hebreus 12:11 nos lembra que nenhuma disciplina parece motivo de alegria no momento, mas de tristeza. Porém, depois produz fruto de justiça. O processo pode doer. A renúncia pode pesar. Mas o resultado é maturidade e crescimento.
Quanto mais algo requer de você, mais é capaz de revelar seu potencial. Deus não desperdiça processos. Ele não exige morte para humilhar, mas para capacitar. Ele quer abrir espaço em suas mãos para confiar algo maior, e Ele não vai te esvaziar para te deixar sem nada, mas para te encher com o que vem d’Ele.
Da morte ao propósito
“Assim que daqui por diante a ninguém conhecemos segundo a carne, e, ainda que também tenhamos conhecido Cristo segundo a carne, contudo agora já não o conhecemos deste modo. Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo. E tudo isto provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Jesus Cristo, e nos deu o ministério da reconciliação.”
2 Coríntios 5:16-18 (ACF)
O Senhor é especialista em transformar histórias. Ele transforma escravos em governantes, como fez com José. Transforma perseguidores em apóstolos, como fez com Paulo. Tudo começa com uma palavra d’Ele que derrama fé e graça, e gera obediência no coração humano.
A palavra do inimigo carrega condenação e acusações constantes. Mas a palavra de Deus gera convicção, propósito e direção. Quando Deus fala, Ele não destrói sua identidade, Ele a redireciona e fortalece.
A fé começa pequena, mas cresce à medida que obedecemos. Cada entrega gera mais favor e cada morte gera mais vida. E como diz Filipenses 1:6: “Aquele que começou a boa obra é fiel para completá-la”. Deus não para no meio do processo, Ele sempre finaliza aquilo que iniciou.
Quanto mais você morre para si, mais vive para Deus. Quanto mais você entrega, mais descobre quem realmente é n’Ele.
Não tenha medo da morte que o Reino exige. Ela não é o fim, é o início de algo muito maior.

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