Vivemos em uma geração que deseja resultados rápidos, experiências sobrenaturais e histórias marcantes para contar. Queremos milagres, portas abertas e testemunhos impactantes. Mas, muitas vezes, não estamos dispostos a atravessar o processo que os gera. No Reino de Deus, os joelhos nos levam mais longe do que nossos pés.
A vida espiritual não se sustenta na pressa, mas na dependência. Não é sobre correr atrás de oportunidades, mas sobre nos derramarmos na presença. Antes de grandes conquistas públicas, existem encontros secretos com Deus. E é ali, no lugar da oração, que tudo começa a ser transformado.
A pressão que gera azeite
“Aqueles que semeiam com lágrimas, com cantos de alegria colherão. Aquele que sai chorando enquanto lança a semente, voltará com cantos de alegria, trazendo os seus feixes.”
Salmos 126:5,6 (NVI)
“Confessai as vossas culpas uns aos outros e orai uns pelos outros, para que sareis” (Tiago 5:16). A oração do justo é poderosa porque nasce da entrega. Queremos azeite, mas esquecemos que o azeite só é produzido quando a azeitona é prensada. O testemunho não nasce do conforto, mas do processo.
Em 2 Reis 4, a viúva só viu o milagre do azeite multiplicado depois que preparou as vasilhas e obedeceu à direção do profeta. Deus poderia simplesmente encher sua casa sem participação alguma, mas Ele a envolveu no processo. O milagre encontrou espaço porque houve preparação.
As lágrimas que derramamos hoje podem ser as sementes do testemunho de amanhã. “Os que semeiam em lágrimas segarão com alegria” (Salmos 126:5). Não despreze o tempo de pressão. Ele está produzindo algo eterno. Os joelhos dobrados hoje constroem histórias que glorificarão a Deus no futuro.
Cale o coração
“Lâmpada para os meus pés é tua palavra, e luz para o meu caminho.”
Salmos 119:105 (ACF)
A frase “siga seu coração” soa bonita, mas biblicamente é perigosa. “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas” (Jeremias 17:9). O coração é o núcleo da nossa vida, aquilo que governa nossas decisões, e por isso deve ser guardado. Mas ele também pode nos enganar.
Nossos desejos podem parecer puros aos nossos olhos, mas isso não significa que estejam alinhados com a vontade de Deus. A própria justiça e força é sutil e perigosa.
Por isso precisamos da Palavra. Não é o sentimento que nos guia, é a Escritura. Quando alinhamos nossos sonhos ao que Deus já revelou, evitamos distorções e aprendemos a confiar que Ele assume a responsabilidade de direcionar nossos passos, então precisamos assumir a responsabilidade de buscar, ouvir e seguir.
Transformados no processo
“Pois aqueles que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.”
Romanos 8:29 (NVI)
A Bíblia declara: “Com uma só oferta aperfeiçoou para sempre os que estão sendo santificados” (Hebreus 10:14). Em Cristo fomos purificados e justificados. Não somos perfeitos em nós mesmos, mas somos completos n’Ele. A salvação é obra consumada; a santificação é obra contínua.
Deus não abandona processos, ele não deixa obras pela metade. As lágrimas, as renúncias e as lutas fazem parte do aperfeiçoamento, assim como a oração é caminho para ele. A dor não é sinal de abandono, mas de formação.
Somos chamados a cooperar com essa obra, obedecendo e nos rendendo. A santificação pode doer, mas produz luz. Testemunhos nascem quando alguém decidiu se derramar em oração e confiar que Deus terminaria o que começou.
A sua vida se move na direção das suas orações e pensamentos. Você nunca ora por quem você é, mas ora por Quem Ele é. Não limite sua oração por se achar simples ou indigno. A obra não depende da sua perfeição, mas da fidelidade d’Ele.
Dobre os joelhos. Prepare as vasilhas. Confie no processo.
Os pés podem te levar a muitos lugares, mas são os joelhos que te levam para o centro da vontade de Deus.

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