Nem sempre Deus nos leva ao propósito por caminhos confortáveis. Muitas vezes, o que nos desperta para a obediência não é a tranquilidade, mas o incômodo. A história de Jonas nos revela que Deus, em Seu amor, permite ambientes desconfortáveis não para nos punir, mas para nos reposicionar. O desconforto, quando guiado por Deus, se torna instrumento de alinhamento.
Fugindo do chamado
“Mas Jonas fugiu da presença do Senhor, dirigindo-se para Társis. Desceu à cidade de Jope, onde encontrou um navio que se destinava àquele porto. Depois de pagar a passagem, embarcou para Társis, para fugir do Senhor.”
Jonas 1:3 (NVI)
Jonas recebeu uma ordem clara: ir a Nínive e anunciar arrependimento. Mas, em vez de obedecer, escolheu fugir para Társis, na direção oposta. Sua fuga não foi apenas geográfica, mas espiritual. Ele tentou se afastar do chamado porque não concordava com o plano de Deus.
Muitas vezes fazemos o mesmo. Quando a vontade de Deus confronta nossas emoções, desejos ou senso de justiça, tentamos escolher caminhos que parecem mais confortáveis, agimos como se coubesse a nós uma concordância ou não com a Palavra. Fugir nunca nos leva à paz verdadeira.
A desobediência pode até parecer alívio momentâneo, mas ela sempre gera inquietação interior. Jonas entrou no navio, mas não encontrou descanso. A ausência de paz é um dos primeiros sinais de que estamos fora do centro da vontade de Deus.
Instrumento de Deus
“Preparou, pois, o Senhor um grande peixe, para que tragasse a Jonas; e esteve Jonas três dias e três noites nas entranhas do peixe.”
Jonas 1:17 (ACF)
Deus poderia ter impedido Jonas de embarcar, mas permitiu que ele fosse, e então enviou a tempestade. O vento forte não era juízo, era misericórdia. A tempestade não veio para destruí-lo, mas para fazê-lo despertar.
Quando a tempestade não foi suficiente, Deus preparou um grande peixe. O ventre do peixe não foi castigo, foi proteção. Ali, no lugar mais escuro e desconfortável, Jonas finalmente parou de fugir e começou a orar, teve tempo para ouvir e reconhecer. Às vezes, Deus nos leva a ambientes apertados para nos devolver à sensibilidade espiritual.
O desconforto revela o que o conforto esconde. No silêncio do ventre, Jonas reconheceu sua dependência de Deus. Aquilo que parecia atraso era, na verdade, uma preparação. Deus usa ambientes improváveis para nos alinhar novamente ao Seu propósito, quem realmente está ligado a Deus, não consegue fugir da presença por muito tempo.
O desconforto gera obediência
“Quando desfalecia em mim a minha alma, lembrei-me do Senhor; e entrou a ti a minha oração, no teu santo templo. Os que observam as falsas vaidades deixam a sua misericórdia. Mas eu te oferecerei sacrifício com a voz do agradecimento; o que votei pagarei. Do Senhor vem a salvação.”
Jonas 2:7-9 (ACF)
Foi no fundo que Jonas se lembrou do Senhor. Sua oração não mudou o coração de Deus, mudou o coração dele. O propósito não havia sido cancelado, apenas interrompido até que houvesse rendição.
Deus deu uma nova oportunidade. A Palavra veio novamente a Jonas: “Levanta-te, vai a Nínive”. O chamado não mudou, mas Jonas havia sido transformado. O desconforto não o destruiu; o reposicionou. A obediência agora vinha de um coração quebrantado e verdadeiramente entregue, que abriu mão dos questionamentos e opiniões próprias para abrir espaço ao agir de Deus.
Ambientes difíceis não significam ausência de Deus, mas muitas vezes são evidência do Seu cuidado. Quando resistimos, Ele nos cerca; quando fugimos, Ele nos alcança. O desconforto pode ser o caminho que Deus usa para nos levar exatamente ao lugar onde deveríamos estar desde o início.

